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Diabetes deve atingir mais de 1 bilhão de pessoas até 2050

Casos de diabetes devem crescer ao redor do mundo nos próximos anos, atingindo cerca de 1,3 bilhão de pessoas até 2050. Pelo menos é isso que prevê uma pesquisa do jornal especializado The Lancet, uma das mais influentes revistas de medicina do mundo. Hoje em dia, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF),

Saúde Publicado em 11/Out/2024 5 min de leitura
Diabetes deve atingir mais de 1 bilhão de pessoas até 2050

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Casos de diabetes devem crescer ao redor do mundo nos próximos anos, atingindo cerca de 1,3 bilhão de pessoas até 2050. Pelo menos é isso que prevê uma pesquisa do jornal especializado The Lancet, uma das mais influentes revistas de medicina do mundo.

Hoje em dia, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), 537 milhões de pessoas têm diabetes no mundo. No Brasil, quinto país com o maior índice da doença, estima-se que mais de 17 milhões de pessoas vivem com a condição, segundo dados de uma pesquisa realizada em 2021. Esse número deve ser ainda maior levando em consideração que a Sociedade Brasileira de Diabetes acredita que cerca de 50% da população ainda não sabe que têm a doença, por ser silenciosa.

Conduzido por pesquisadores que colaboram com o estudo Global Burden of Diseases (GBD) – Carga Global de Doenças, em tradução livre – liderados pela equipe do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington (IHME, da sigla em inglês), o artigo aponta o aumento da doença, uma das dez principais causas de morte e incapacidade do mundo.

O crescimento de casos até 2050 está associado, principalmente, ao avanço da diabetes tipo 2, responsável hoje por 96% dos pacientes no mundo. Diabetes Mellitus (DM) é uma síndrome metabólica de origem múltipla, causada pela falta de insulina e/ou pela sua incapacidade de exercer adequadamente seus efeitos, e caracteriza-se por altas taxas de açúcar no sangue (hiperglicemia).

O Endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Fábio Moura, explica que o tipo 2 é mais comum em adultos, embora com uma tendência de surgimento de casos em pessoas cada vez mais jovens “Ele origem multifatorial, decorrente da soma entre uma propensão genética e fatores ambientais, como excesso de peso, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados e estresse”, explica.

Já o diabetes tipo 1 deve aumentar 23,9%, mas saindo de um cenário de 0,2% da população para 0,3%. “Essa é uma doença autoimune, mais comum em crianças e adolescentes, e que necessita do uso de insulina desde o diagnóstico”, esclarece o médico.

Entenda o que pode causar diabetes

Entenda o que pode causar diabetes (Imagem: Freepik)

Diabetes é mais expressivo em pessoas mais velhas

Hoje em dia, a maioria dos diagnósticos de diabetes estão entre maiores de 65 anos. Estima-se que um em cada cinco idosos (20%) tem diabetes. Quando aumentamos a idade para 75 anos, esse número aumenta. Pesquisas apontam que uma em cada quatro pessoas entre 75 e 79 anos (24,4%), têm a doença.

Fábio Moura explica que existem vários fatores que contribuem para esses números. “O principal deles é o envelhecimento populacional, ou seja, cada vez mais pessoas vivendo por mais tempo e recebendo o diagnóstico”, ressalta.

Ele ainda aponta que o avanço da idade, por si só, já é um fator considerável no diagnóstico de diabetes, por elevar o risco de alterações na glicemia.

Apesar dos números serem mais expressivos entre idosos, o profissional ressalta a tendência da doença chegar cada vez mais nas pessoas mais jovens, principalmente devido ao comportamento alimentar e o aumento dos casos de obesidade.

Obesidade e diabetes

Obesidade é, provavelmente, o principal fator de risco para o diabetes tipo 2”, explica Fábio Moura. O profissional aponta que os índices de obesidade deverá ser um fator determinante para que o estudo sobre aumento do diabetes de fato de projete na vida real. Afinal, quando os índices de obesidade aumentam, a tendência é que a quantidade de pessoas diagnosticadas com diabetes cresça também.

“O aumento decorre, principalmente, da ‘ocidentalização’ dos hábitos de vida: adoção do sedentarismo no dia a dia, como passar muito tempo sentado e não praticar atividades físicas; alimentação inadequada, com o consumo excessivo de alimentos hipercalóricos e ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras saturadas e sal; fatores emocionais, como estresse, ansiedade e depressão, tão frequente na sociedade moderna; e piora na higiene do sono”, pontua.

“Esse somatório resultará em mais pacientes com diabetes, diagnosticados em idade mais precoce e expostos à hiperglicemia por mais tempo. O potencial catastrófico de complicações decorrentes disso, tanto do ponto de vista humano quanto social e financeiro, é incalculável”, completa.

Riscos e prevenção

Muito além de simples adequações e restrições na alimentação, o diabetes está relacionado a uma série de outras doenças. “O diabetes é a principal causa de cegueira não traumática, amputação não traumática e insuficiência renal terminal, com necessidade de hemodiálise, em todo o mundo. É também um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular, como infarto e AVC, e importante fator de risco para quadros demenciais e alguns tipos de câncer”, lista o médico.

Justamente por isso, é importante mudar a rotina o quanto antes para prevenir a chegada da doença ou, em casos de pessoas já diagnosticadas, não piorá-la. Já que a alimentação e estilo de vida estão diretamente relacionados a diabetes, a mudança desses hábitos também são responsáveis por preveni-la.

O médico explica que a melhor forma de evitar ser diagnosticado com a doença é ficar de olho nas escolhas do dia a dia, começando a incluir exercícios físicos na rotina e se alimentando de forma melhor e mais saudável.

Para quem já tem a doença, a dica também é válida, além de, claro, usar a farmacoterapia indicada por um profissional da saúde.

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