Amamentação: guia sobre direitos e como superar dificuldades
Tem dúvidas sobre amamentação? Veja recomendações de especialistas, direitos da mãe trabalhadora e como acionar o apoio do SUS.
Leitura em voz inativa.
Amamentar depende de muito mais do que a vontade da mãe. Afinal, exige informação, apoio e direitos garantidos. É exatamente essa a reflexão do Agosto Dourado 2026, mês dedicado ao incentivo ao aleitamento materno no Brasil por lei federal. Entenda a importância da amamentação para a mãe e o bebê.
O tema da campanha deste ano, definido pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento (WABA), é: “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona.”
Portanto, o chamado é para que governos, profissionais de saúde, empresas e famílias ampliem o apoio a quem amamenta.
O que é o Agosto Dourado e qual o seu significado?
O Agosto Dourado foi instituído no Brasil por lei federal como o mês oficial de incentivo ao aleitamento materno. A cor dourada representa o padrão-ouro de qualidade do leite materno.
Além disso, a Semana Mundial da Amamentação vai de 1 a 7 de agosto e é reconhecida em mais de 170 países pela OMS e pelo UNICEF.
Por que a amamentação importa? Benefícios para o bebê e para a mãe
A amamentação não é apenas uma escolha nutricional; é uma intervenção de saúde pública comprovada pela ciência. Por isso, quando analisamos os números, fica claro por que a proteção ao aleitamento é tão urgente:
Benefícios para o bebê:
- Redução da mortalidade: O aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida reduz em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis (dados da OMS/Lancet).
- Proteção contra infecções: Em primeiro lugar, bebês amamentados apresentam 72% menos risco de hospitalização por infecções respiratórias graves (como pneumonia e bronquiolite) e 64% menos risco de diarreias e infecções gastrointestinais.
- Saúde a longo prazo: Como resultado, a amamentação reduz em 13% a probabilidade de obesidade na infância e na vida adulta, além de diminuir em 35% a incidência de diabetes tipo 2.
Benefícios para a mãe:
- Recuperação no pós-parto: A sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina. Consequentemente, esse hormônio acelera a regressão do útero ao tamanho normal e reduz o risco de hemorragia pós-parto.
- Prevenção de câncer: Adicionalmente, a amamentação reduz em 4,3% o risco de câncer de mama para cada 12 meses acumulados de amamentação ao longo da vida, além de diminuir em até 30% o risco de câncer de ovário.
- Proteção metabólica: Do mesmo modo, mulheres que amamentam têm até 12% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2 e menor incidência de hipertensão após a menopausa.
Além do impacto direto na saúde física de ambos, a amamentação constrói um vínculo afeto-emocional profundo entre mãe e filho. Nesse sentido, o contato pele a pele contínuo, a troca de olhares e a liberação de hormônios do bem-estar durante a mamada promovem o apego seguro. Como consequência, acalmam o bebê, reduzem o estresse materno e fortalecem o desenvolvimento emocional da criança para a vida toda.
O que os dados mostram: o Brasil avançou, mas a meta ainda não foi atingida
Em 1986, mães brasileiras amamentavam exclusivamente apenas 3% das crianças menores de seis meses. Hoje esse índice chega a 45,8%, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI 2021), da UFRJ, com apoio do Ministério da Saúde.
Trata-se de um avanço real. No entanto, o país não atingiu a meta de 50% estabelecida pela OMS para 2025.
Atualmente, a meta para 2030 é de 70%. Por isso, o tema da campanha de 2026 aponta o caminho: identificar o que já funciona em políticas públicas e redes de apoio para fortalecer essas iniciativas.
Em 2023, o SUS atendeu mais de 1,6 milhão de mulheres com dificuldades de amamentação, segundo o Ministério da Saúde. Portanto, ter dificuldade é comum. Assim, buscar ajuda é o caminho certo.

dados: ENANI-2019/2021 do Ministério da Saúde/UFRJ
Até quando amamentar: o que recomenda o Ministério da Saúde
A orientação oficial é o leite materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Afinal, exclusivo significa cortar:
- água;
- chá;
- suco;
- fórmula.
Por essa razão, qualquer complemento, mesmo água, já muda essa categoria.
Depois dos 6 meses, a amamentação pode continuar junto com outros alimentos. Dessa forma, a recomendação é mantê-la até os 2 anos ou mais, pelo tempo que mãe e bebê quiserem.
Vale ressaltar que o leite materno não perde valor com o tempo. Ou seja, o bebê deve mamar sempre que quiser, sem horários rígidos. Isso se chama livre demanda e estimula a produção de leite de forma natural.
O que fazer se estiver com dificuldade para amamentar
Dor, fissuras e a sensação de que o leite é pouco são as razões mais comuns para o desmame precoce. Contudo, a maioria tem solução quando identificada cedo.
“É normal sentir um desconforto inicialmente, afinal, o bebê nunca sugou tanto o bico do seio assim. Dor não é normal”, explica Karla Fuentes, especialista em amamentação, doula e terapeuta.
Nesse sentido, ela aponta a pega incorreta como a causa mais frequente de fissura: “Doeu? Tira e recomeça. Uma mamada com a pega errada pode causar fissuras enormes.”
Sobre o medo de ter leite insuficiente, ela é direta: “A melhor prevenção é a informação.”
Afinal, a própria demanda do bebê produz o leite. Ou seja: quanto mais o bebê mama, mais leite o corpo produz.
A PROTESTE conversou com Karla sobre as principais dúvidas de mães de primeira viagem. Leia a entrevista completa.
Entretanto, se a dificuldade persistir, os caminhos disponíveis são:
- O posto de saúde ou a maternidade de referência, onde o SUS oferece suporte gratuito;
- O banco de leite humano, que orienta sobre pega, posição e manejo.
Seus direitos como mãe que amamenta no trabalho
Voltar ao trabalho e continuar amamentando é possível. Por exemplo, a CLT garante duas pausas de 30 minutos por dia para amamentação até o bebê completar 6 meses.
Esse tempo pode ser usado para amamentar ou para ordenhar leite. Além disso, empresas com 30 ou mais mulheres são obrigadas a ter um espaço adequado, com higiene e privacidade.
Portanto, se a empresa não cumprir, é possível reclamar. Da mesma forma, se o plano de saúde negar coberturas do pós-parto, a ANS é o canal oficial. A PROTESTE pode ajudar a organizar a reclamação e acompanhar a resposta.
A PROTESTE
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